Indicadores de produção industrial: 7 métricas indispensáveis para uma gestão mais qualificada e com base em dados concretos

indicadores de produção industrial

Para garantir a melhoria contínua dos processos de produção industrial, com redução de custos e mantendo a qualidade final das entregas, é indispensável fazer uso de indicadores de desempenho (KPIs).

Basicamente, essas ferramentas servem para mensurar, quantitativa e qualitativamente, diferentes aspectos de uma indústria.

A partir disso, consegue-se tomar decisões estratégicas com maior segurança e assertividade, pois elas passam a ser fundamentadas em dados concretos.

Os KPIs para indústrias podem melhorar a qualidade da gestão, permitindo identificar se o desempenho da produção está em conformidade com o que era esperado.

E, caso não estejam, procura-se descobrir maneiras de melhorar o processo, otimizando as atividades em busca de mais eficiência e produtividade.

Os indicadores de produção industrial permitem fazer um monitoramento mais eficaz da linha de fabricação. Além disso, essas ferramentas contribuem para a redução de custos operacionais e otimização dos processos internos.

Pensando nisso, trouxemos aqui 7 KPIs para indústrias que você precisa conhecer. Nas próximas linhas deste conteúdo, você vai conferir quais indicadores de produção industrial utilizar na sua empresa e tornar suas operações mais eficientes:

  1. Eficácia Geral do Trabalho – OLE;
  2. Produtividade Homem / Hora;
  3. On Time In Full – OTIF;
  4. Tempo Médio para Reparo – MTTR;
  5. Tempo de Inatividade;
  6. Tempo Médio entre Falhas;
  7. Eficiência Global dos Equipamentos – OEE.

7 indicadores de produção industrial para usar no seu modelo de negócio

Indicadores de desempenho do setor de indústrias são ferramentas indispensáveis para mensurar e acompanhar a performance das operações fabris.

Os KPIs fornecem dados e informações valiosas, que vão orientar a maneira de conduzir o negócio e facilitar a identificação de soluções para problemas que a empresa possa vir a enfrentar.

Confira a seguir quais indicadores de produção industrial implementar na sua fábrica.

1 - Eficácia Geral do Trabalho - OLE

 A Eficácia Geral do Trabalho, ou OLE (Overall Labor Effectiveness) é um indicador que busca avaliar três variáveis do processo produtivo:

  • Disponibilidade: tempo em que os colaboradores ficaram disponíveis durante o expediente;
  • Desempenho: quanto os colaboradores conseguiram produzir durante o expediente;
  • Qualidade: quanto do que foi produzido está em perfeitas condições para a venda.

Multiplique essas três variáveis e você obterá o resultado o OLE.

2 - Produtividade Homem / Hora

O segundo indicador da nossa lista de KPIs para indústrias busca mensurar quanto cada colaborador é capaz de produzir por hora trabalhada.

Para fazer o cálculo, basta dividir o total de peças produzidas pelo total de horas trabalhadas.

Você pode comparar esse resultado entre máquinas, entre turnos e até individualmente entre os colaboradores. Também pode comparar com a produtividade geral do mercado em que atua para saber se sua empresa está competitiva no setor.

3 - On Time In Full - OTIF

O On Time In Full (OTIF) é um KPI que mostra a eficiência das entregas. Uma produção industrial eficiente precisa ser capaz de entregar os produtos completos (in full) dentro do prazo previamente estabelecido (on time).

O cálculo é feito multiplicando o percentual de entregas on time pelo percentual de entregas in full.

Hoje, com os mercados virtuais mais do que consolidados e até em ascensão, é cada vez mais importante monitorar suas entregas para satisfazer clientes cada vez mais exigentes com esses prazos.

4 - Tempo Médio para Reparo - MTTR

Esse indicador é mais voltado para a área de manutenção da fábrica. O Tempo Médio para Reparo, ou MTTR (Mean Time To Repair) calculo quanto tempo costuma-se levar, em média, para corrigir as falhas do processo produtivo.

Para calcular o MTTR, divida o tempo total gasto na correção de falhas pelo total de falhas corrigidas.

5 - Tempo de Inatividade

Outra métrica relacionada à área de manutenção do processo industrial é o Tempo de Inatividade. O objetivo desse KPI é mensurar quanto tempo os equipamentos da fábrica ficaram sem funcionar.

Ele pode ser analisado em conjunto com o indicador de desempenho industrial anterior, o Tempo Médio para Reparo, pois estão intimamente ligados.

Afinal, se uma máquina demora muito para ser reparada, isso significa que o tempo de inatividade do processo industrial será maior.

6 - Tempo Médio entre Falhas

O Tempo Médio entre Falhas, ou MTBF (Mean Time Between Failures) mede a frequência em que os equipamentos da produção industrial precisam passar por manutenção. 

Some o tempo total entre cada falha e depois divida pelo total de falhas. Quanto maior for o Tempo Médio entre Falhas, melhor será o desempenho da indústria.

7 - Eficiência Global dos Equipamentos - OEE

Se o OLE mede a eficiência dos trabalhadores da fábrica, o OEE (Overall Equipment Effectiveness) se dedica a mensurar a eficiência das máquinas e equipamentos do processo produtivo.

Os três fatores analisados continuam sendo os mesmos:

  • Qualidade: equipamentos em perfeito estado;
  • Produtividade: quanto cada máquina tem conseguido produzir;
  • Disponibilidade: tempo dedicado à produção.

Multiplique o percentual de cada fator e encontre o resultado do OEE.

Você sabe como gerenciar indicadores? Agora que você já conhece vários deles, fundamentais para uma indústria, veja dicas de como gerenciá-los neste vídeo:

Bom, esses são os 7 principais indicadores de produção industrial. Ficou claro como utilizar cada um deles?

Implemente essas métricas no seu modelo de negócio e promova uma gestão mais qualificada e com base em dados concretos. Assim, seu processo produtivo será bem mais eficiente.

Este post foi escrito pela equipe da Siteware, uma empresa que une pessoas, operação e estratégia em um único software, para que as empresas melhorem seus resultados, sua comunicação e sua governança.

Entenda como comprar energia no Mercado Livre de Energia

como comprar energia no mercado livre

Mais de 9,5 mil empresas brasileiras já se tornaram agentes do Mercado Livre de Energia Elétrica. Essas companhias desfrutam, principalmente, da possibilidade de comprar energia com valores inferiores àqueles que são praticados no Mercado Cativo.

Porém, a compra de energia elétrica no Ambiente de Contratação Livre (ACL) é um processo longo e burocrático, que pode oferecer riscos aos consumidores que não tiverem o acompanhamento adequado.

Continue conosco para entender como comprar energia no Mercado Livre e alcançar as melhores condições de contratação. Veja também quem pode atuar nesse ambiente e quais são os vendedores.

Quem pode comprar energia elétrica no Mercado Livre

Há dois tipos de consumidores que podem comprar energia elétrica no Mercado Livre de Energia no Brasil: consumidores livres e consumidores especiais.

  • Consumidor Livre: demanda mínima de 1.500 kW e possibilidade de escolha de seu fornecedor de energia elétrica por meio de livre negociação. Tem a possibilidade de contratar energia proveniente de qualquer fonte de geração.
  • Consumidor Especial: demanda entre 500 kW e 1.500 kW, com o direito de adquirir energia de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) ou hidráulica de empreendimentos com potência inferior ou igual a 50.000 kW, ou ainda de fontes incentivadas especiais (eólica, biomassa ou solar). 

Uma terceira alternativa possível para se tornar consumidor do Mercado Livre é a comunhão. Por meio dela, a empresa que não tenha demanda suficiente para operar sozinha no Ambiente de Contratação Livre pode realizar comunhão com outras unidades consumidoras para atingir o nível mínimo de demanda de 0,5 MW. 

Isso somente é válido para consumidores com o mesmo CNPJ e alocados no mesmo submercado ou localizados em área contígua (sem separação por vias públicas).

A comunhão permite que empresas vizinhas ou do mesmo grupo econômico somem suas demandas para chegar aos 500 kW e, assim, estejam aptas a comprar energia no Mercado Livre.

De quem é possível comprar energia no Mercado Livre

Apenas agentes cadastrados na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) podem comercializar energia elétrica. Entres aqueles que podem vender energia estão comercializadores, geradores, autoprodutores e importadores.

Há ainda a possibilidade de consumidores do Mercado Livre negociarem o excedente de energia elétrica com outros consumidores livres e especiais.

Os consumidores podem adquirir energia no Ambiente de Contratação Livre (ACL) por meio de contratos de compra de fonte incentivada ou fonte convencional. 

Fontes convencionais

No mercado de energia elétrica no Brasil, as fontes mais comuns são as usinas hidrelétricas de grande porte e as usinas termelétricas. Elas são chamadas de fontes convencionais.

Fontes incentivadas

Fontes incentivadas são usinas eólicas, solares, a biomassa, hidráulicas ou cogeração qualificada com potência injetada inferior ou igual a 50.000 kW.

Os consumidores de energia que compram de fontes incentivadas têm direito a redução entre 50% e 100% nas tarifas de uso do sistema de distribuição e transmissão (Tusd e Tust), que são os valores cobrados pelo transporte de energia.

O percentual de desconto para o consumidor depende da data de homologação da outorga ou do registro de usina na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e do tipo de fonte de geração.

A oferta de desconto para compra de fontes incentivadas é uma forma de incentivo econômico para fontes renováveis no Brasil. 

Compra de energia das comercializadoras

Além de comprar energia das geradoras, o consumidor pode adquirir em negociação com as comercializadoras. 

Elas são agentes do Mercado Livre que não têm usinas próprias e adquirem a energia de diferentes fornecedores, para criar um portfólio de diversos produtos para os consumidores.

Os comercializadores são regulamentados pela Aneel e devem possuir capital social integralizado de no mínimo R$ 1 milhão, além de comprovar aptidão para o desenvolvimento da atividade.

Conforme regulamentação da Aneel, os comercializadores devem gerir riscos de volume e preço para os seus clientes.

Como comprar energia elétrica no Mercado Livre

No Mercado Livre de Energia, os consumidores negociam livremente preços, prazos e volumes com as geradoras ou comercializadoras. 

Para a compra de energia elétrica, é recomendável que essas empresas adotem estratégias de longo prazo, já que as variações de custos de energia no Brasil podem tornar os valores menos vantajosos do que no Mercado Cativo.

Geralmente, o Ambiente de Contratação Regulada (ACR) está mais suscetível a variações de preço, especialmente pela cobrança de bandeiras tarifárias aplicadas em momentos de queda no volume de chuvas. Porém, essas variações afetam também o Mercado Livre.

Para a compra de energia elétrica ser bem-sucedida e o consumidor encontrar as melhores condições, é importante que haja a análise de seu perfil de consumo. Inclusive, realizar estudos de viabilidade econômica é um dos passos na migração para o Mercado Livre de Energia.

Assim como acontece no mercado de investimentos, as estratégias de compra de energia no ambiente livre seguem os perfis dos consumidores.

Consumidores de perfil conservador

Para consumidores com maior aversão a risco, a estratégia de compra de energia elétrica no Mercado Livre busca contratos longos, que ofereçam maior previsibilidade de custos para a empresa.

Os preços aplicados são negociados para todo o período de vigência do contrato.

Consumidores de perfil arrojado

No caso de consumidores cujo perfil seja de menor aversão a risco, as estratégias de compra de energia elétrica no Mercado Livre buscam contemplar oportunidades de maiores vantagens econômicas. 

Para aquisição de energia com menor preço, é possível contratar volumes inferiores à necessidade de longo prazo e comprar o restante em contratos de curto prazo, visando aproveitar momentos de queda de preço.

Entretanto, esse risco é mais alto para o comprador, que ficará mais suscetível às variações de tarifas. Por isso, é recomendável o acompanhamento de uma consultoria especializada em transações no Mercado Livre de Energia.

É possível ainda que os contratos prevejam consumo flexível, para que haja redução do risco de déficits e superávits. Os percentuais de flexibilidade devem ser negociados entre consumidores e vendedores.

Quer saber como o preço de energia é calculado no Mercado Livre? Confira o vídeo abaixo:

Como evitar riscos na compra de energia no Mercado Livre

Apenas os agentes autorizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e registrados na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) podem orientar consumidores que desejam migrar do Ambiente de Contratação Regulada, conhecido como Mercado Cativo, para o Mercado Livre.

É recomendável que a migração e a compra de energia no Mercado Livre sejam acompanhadas por consultorias especializadas no Ambiente de Contratação Livre (ACL).

Se sua empresa deseja migrar do Mercado Cativo e se tornar uma agente do Mercado Livre de Energia, a Esfera Energia realiza o planejamento de migração com análises técnica e regulatória minuciosas, deslumbrando, desde o começo, os ganhos a serem gerados. 

Os consumidores ganham voz na negociação com os maiores geradores de liquidez deste mercado em busca dos melhores termos para os seus orçamentos, sem conflitos de interesse ou qualquer forma de comissionamento.

O acompanhamento vai desde a contratação de energia até as questões burocráticas que envolvem a migração, com ações rápidas a cada ajuste regulatório. 

Para evitar os riscos e problemas com o seu processo de migração, baixe gratuitamente o e-book ‘Como funciona a compra de energia no Mercado Livre de Energia‘.

Nele, você vai conseguir se preparar para conversar com uma consultoria especializada e tirar todas as suas dúvidas.

Para que sua empresa encontre as melhores condições de compra de energia no Mercado Livre, fale com um especialista Esfera!

Guia: como migrar para o Mercado Livre de Energia em 10 passos

Como migrar para o Mercado Livre de Energia

O Mercado Livre de Energia Elétrica no Brasil permite que as empresas negociem as melhores condições de compra de energia elétrica e, assim, possam atingir grandes índices de economia.

Essa e as demais vantagens do Ambiente de Contratação Livre de Energia já motivaram mais de 7 mil empresas a deixar o Mercado Cativo. 

Quer entender como migrar para o Mercado Livre de Energia? Continue conosco. A seguir, apresentaremos todos os passos para sua empresa fazer essa transição.

Quem pode migrar para o Mercado Livre de Energia

Antes de fazer a migração para o Mercado Livre de Energia, é preciso se certificar de que sua empresa atende os requisitos para a mudança entre entre o Ambiente de Contratação Regulada (ACR) e o Ambiente de Contratação Livre (ACL).

Qualquer indústria ou comércio que esteja ligado em média ou alta tensão pode participar do Mercado Livre de Energia no Brasil, desde que atenda a alguns requisitos. 

O principal deles é se enquadrar em uma das seguintes categorias: 

  • Consumidor Livre: demanda mínima de 1.500 kW e possibilidade de escolha de seu fornecedor de energia elétrica por meio de livre negociação. Tem a possibilidade de contratar energia proveniente de qualquer fonte de geração.
  • Consumidor Especial: demanda entre 500 kW e 1.500 kW, com o direito de adquirir energia de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) ou hidráulica de empreendimentos com potência inferior ou igual a 50.000 kW, ou ainda de fontes incentivadas especiais (eólica, biomassa ou solar).
  • Comunhão: a empresa que não tenha demanda suficiente para operar sozinha no Ambiente de Contratação Livre pode realizar comunhão com outras unidades consumidoras para atingir o nível mínimo de demanda de 0,5 MW. Isso somente é válido para consumidores com o mesmo CNPJ e alocados no mesmo submercado ou localizados em área contígua (sem separação por vias públicas).

A comunhão permite que empresas vizinhas ou do mesmo grupo econômico somem suas demandas para chegar aos 500 kW.

Como migrar para o Mercado Livre de Energia passo a passo

Caso atenda aos critérios de elegibilidade, o consumidor pode migrar para o Mercado Livre de Energia seguindo 10 passos:

1. Avaliar requisitos de tensão e demanda

Para fazer a migração para o Mercado Livre de Energia, é preciso ter demanda contratada a partir de 500 kW, o que equivale a cerca de R$ 50 mil mensais com gastos em energia elétrica. Também é preciso verificar se está ligado em alta tensão.

2. Realizar estudos de viabilidade econômica

A projeção incorreta sobre a demanda de energia elétrica pode levar o consumidor a ficar exposto aos preços de curto prazo, prejudicando os ganhos financeiros que teria com a migração. 

Dessa forma, devem ser realizados estudos comparativos com as previsões de gastos para os mercados cativo e livre.

É importante ressaltar que, caso o consumidor deseje retornar para o mercado cativo, a concessionária de energia elétrica responsável pela distribuição em sua região tem o prazo de até 5 anos de antecedência para aceitar a solicitação.

3. Analisar os contratos vigentes com a distribuidora

Os consumidores cativos compram a energia elétrica das concessionárias de distribuição responsáveis pela distribuição em suas regiões. Com as tarifas reguladas pelo governo, cada unidade consumidora paga uma fatura mensal, que inclui o serviço de distribuição e a geração de energia.

Os contratos de compra de energia regulada firmados com as distribuidoras, geralmente, têm prazo de 12 meses. O contrato deve ser rescindido 6 meses antes da data desejada de migração para o Mercado Livre.

4. Optar por uma Gestora de Energia

Neste momento, a empresa pode contratar uma Gestora de Energia para a inteligência e análise de riscos. Apesar de não ser obrigatório, é primordial contar com o apoio de um especialista no assunto.

Uma boa gestora irá cotar preços de diversos geradores e comercializadores de forma imparcial, auxiliando o consumidor a conseguir a melhor oferta.

5. Negociar e assinar o contrato de fornecimento no Mercado Livre com um gerador ou comercializador

Para fazer a migração, é necessário negociar os contratos de energia com uma geradora ou comercializadora vinculada à CCEE. O consumidor pode fazer a negociação sozinho, mas é recomendável contar com o auxílio de uma consultoria especializada em migração para o Mercado Livre.

Neste momento, o consumidor poderá acordar as condições de prazo, preço e volume de energia.

6. Denunciar o contrato de fornecimento à atual distribuidora

O consumidor que deseja fazer a migração deve denunciar o seu contrato de energia elétrica no mercado cativo à distribuidora responsável pelo seu fornecimento. 

Caso queira antecipar a rescisão contratual, será necessário pagar multa.

7. Assinar o Contrato de Uso de Sistema de Distribuição (CUSD) com a distribuidora à qual a unidade está conectada

Ainda que haja um contrato com uma geradora ou comercializadora, no Ambiente de Contratação Livre, também é necessário assinar um contrato com a concessionária responsável pela distribuição de energia elétrica na região para ser realizada a conexão.

Esse contrato segue normas da Agência Nacional de Energia Elétrica e as tarifas são padronizadas.

8. Adequar seu sistema de medição de consumo com a distribuidora conforme a legislação vigente

É necessário adequar os medidores de consumo ao padrão estabelecido pela ONS, com instalação de sistema de telemetria que permita a apuração remota dos dados e liquidação financeira do mercado livre de energia elétrica.

Os custos de adequação ao sistema de medição (SMF) são de responsabilidade do consumidor.

9. Aderir à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE)

O consumidor que deseja aderir ao Mercado Livre de Energia deve fazer a adesão à CCEE e submeter os contratos firmados com a geradora ou comercializadora para análise da entidade.

10. Abertura de conta bancária e aprovação pelo CAD

Todos os operadores do Mercado Livre de Energia precisam abrir uma conta na agência Trianon do Banco Bradesco, onde estão centralizadas todas as operações financeiras relacionadas ao MLE.

Depois que a documentação for conferida pela CCEE, o Conselho de Administração da CCEE (CAd) irá migrar o consumidor para o Mercado Livre de Energia.

Como negociar os contratos no Mercado Livre de Energia

As empresas que pretendem participar do Mercado Livre de Energia devem assinar dois contratos, um com a geradora ou comercializadora de energia e outro com a distribuidora de sua região, que é responsável também pela conexão.

Os contratos de conexão seguem as regras da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Já o contrato com o gerador ou comercializadora é feito em livre negociação. O consumidor pode acordar preços e prazos, mas é recomendável que tenha o auxílio de uma consultoria especializada em analisar as melhores condições de contratação.

Se sua empresa deseja migrar do Mercado Cativo e se tornar uma agente do Mercado Livre de Energia, a Esfera Energia realiza o planejamento de migração com análises técnica e regulatória minuciosas, deslumbrando, desde o começo, os ganhos a serem gerados.

Os consumidores ganham voz na negociação com os maiores geradores de liquidez deste mercado em busca dos melhores termos para os seus orçamentos, sem conflitos de interesse ou qualquer forma de comissionamento.

O acompanhamento vai desde a contratação de energia até as questões burocráticas que envolvem a migração, com ações rápidas a cada ajuste regulatório. Para que sua empresa consiga desfrutar de todas as vantagens do Mercado Livre de Energia, fale com um especialista Esfera!

O que é a tarifa binômia e como ela funciona?

No Brasil, as tarifas do Mercado Cativo são reguladas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), dentre elas a tarifa binômia. Mas você sabe o que é a tarifa binômia, como ela funciona, para quais tipos de consumidores ela é aplicada e as diferenças para a tarifa monômia?

Explicaremos todas essas questões a seguir. Continue lendo e veja tudo o que você precisa saber a respeito do assunto!

O que é a tarifa convencional binômia?

A tarifa convencional binômia é a cobrança feita separadamente pelo consumo de energia e pela demanda de potência da unidade consumidora, sem considerar os horários de utilização ao longo do dia.

Entenda aqui o que é demanda de energia elétrica e qual a diferença para consumo.

Segundo definição ANEEL, a tarifa binômia é “aquela que é constituída por valores monetários aplicáveis ao consumo de energia elétrica ativa e à demanda faturável.” Ela foi estabelecida por meio da Resolução Normativa ANEEL n. 479, de 3 de abril de 2012.

Ela é aplicada aos consumidores do grupo A, que são os consumidores de média e alta tensão, no qual estão principalmente as indústrias e estabelecimentos comerciais de médio e grande porte.

Isso significa que os consumidores do grupo A pagam à parte pela infraestrutura necessária para atender a potência da sua unidade consumidora.

Como funciona a tarifa binômia?

As tarifas de energia são definidas pela ANEEL, a qual é responsável por regular todas as etapas relacionadas à energia elétrica, da geração à comercialização, bem como fiscalizar todo o setor elétrico brasileiro.

Também cabe à ANEEL realizar leilões de energia, implementar novas políticas, criar regras, calcular e estabelecer tarifas e mediar conflitos entre consumidores e agentes, caso estes ocorram.

Dessa forma, a ANEEL determina que os consumidores do grupo A (alta tensão) devem ser cobrados por meio da tarifa binômia. Com isso, são feitos cálculos separados para o consumo de energia e para a demanda de potência de cada unidade, os quais não são afetados pelas horas de consumo ao longo do dia.

Por meio da tarifa binômia, os consumidores têm tarifas que são proporcionais ao consumo e ao uso da capacidade do sistema elétrico. Assim, aqueles que usam mais energia pagam um valor mais alto por isso.

Para quais tipos de consumidores a tarifa binômia é aplicada?

Como mostramos anteriormente, atualmente a tarifa binômia da ANEEL é aplicada apenas aos consumidores do grupo A. 

Para tornar o sistema elétrico mais eficiente, existem dois grupos de consumidores:

  • Grupo A: consumidores de média e alta tensão, no qual estão as indústrias e estabelecimentos comerciais de médio e grande porte;
  • Grupo B: consumidores de baixa tensão, sendo eles residências e comércios de pequeno porte.

Os consumidores do grupo A devem determinar qual será a demanda  de consumo de suas respectivas empresas e informá-la para a distribuidora da região para poder fazer a contratação da demanda — essa demanda é chamada de “demanda contratada”.

Esse contrato estabelece o valor da demanda e o período de vigência. Tal acordo tem como objetivo garantir que o sistema esteja preparado para atender às necessidades de todas as empresas, sem correr o risco de um déficit energético caso haja sobrecarga do sistema, por exemplo. 

Além disso, o contrato obriga a distribuidora a fornecer a energia necessária para as empresas, do mesmo modo que os consumidores também têm a obrigação de manter a demanda dentro do volume que foi acordado.

Inclusive, quando uma empresa ultrapassa o valor de demanda  que havia sido previamente estabelecida é cobrada uma multa, por isso é importante saber de fato qual é a demanda de energia necessária e, assim, contratar o necessário para suprir todas as atividades das operações do dia a dia.

Qual a diferença entre tarifa monômia e binômia?

A ANEEL estabelece quatro modalidades tarifárias:

  • Convencional monômia
  • Convencional binômia
  • Branca
  • Horosazonal verde
  • Horosazonal azul

A tarifa convencional monômia é atualmente aplicada apenas aos consumidores do grupo B (baixa tensão). Ela tem um cálculo mais simples e considera apenas o consumo de energia independentemente da demanda de potência ou do horário do dia.

Assim, todos os consumidores ligados àquela rede pagam um valor fixo em relação ao custo do serviço de distribuição de energia, que também é chamado de “tarifa fio”, não importa qual seja a quantidade de energia consumida.

Por outro lado, a tarifa convencional binômia é a cobrança feita separadamente pelo consumo de energia e pela demanda de potência da unidade consumidora, sem considerar os horários de utilização ao longo do dia. 

Neste caso, a cobrança pelo serviço de distribuição é proporcional à demanda e ao consumo de cada unidade, já que os consumidores do grupo A exigem mais do sistema.

Já a tarifa branca também é aplicada aos consumidores do grupo B, porém tem tarifas diferentes de acordo com o dia e horário de utilização. Dessa forma, o consumidor pode optar por fazer mais atividades que precisem de energia fora dos horários de pico, reduzindo assim os custos com a energia elétrica.

Em relação à tarifa horosazonal verde, com ela é possível que os valores de consumo sejam ou não diferentes no horário ponta e horário fora ponta, mas a cobrança pela demanda de potência é única e o preço de transporte na ponta é maior.

Já a tarifa horosazonal azul de energia tem dois valores diferentes de demanda de potência de acordo com o horário ponta e o horário fora ponta.

Saiba mais sobre as diferenças entre a tarifa azul e verde e como escolher a melhor.

Existe tarifa binômia no Mercado Livre de Energia?

Não. As tarifas estabelecidas pela ANEEL são vigentes apenas no Mercado Cativo. Os consumidores livres do Mercado Livre de Energia podem definir o preço, prazo, volume e forma de pagamento da energia diretamente com as empresas geradoras ou comercializadoras.

Por isso, os consumidores livres têm mais liberdade para escolher um fornecedor com tarifas mais atrativas do que as tradicionalmente reguladas pelo governo e também que atenda melhor às suas demandas específicas.

Entenda o que é e como funciona o Mercado Livre de Energia.

Então, que tal considerar migrar para o Mercado Livre de Energia? Você pode contar com a consultoria da Esfera Energia para realizar todo o processo com segurança e de acordo com todas as obrigações legais.

Além disso, a Esfera também atua nas negociações para garantir as melhores tarifas e condições possíveis na contratação de energia.

Ficou interessado? Fale agora mesmo com um de nossos consultores!

O que é o Mercado Cativo de Energia e quais as diferenças para o Mercado Livre?

Para entender melhor as diferenças nos processos de aquisição de energia, é importante conhecer o que é o Mercado Cativo de Energia.

No Brasil, ele é formado principalmente por residências e pequenas empresas que não têm demanda energética suficiente para migrar para o Mercado Livre de Energia.

Mas como esse mercado funciona, como o preço da energia é definido e quais são as principais diferenças entre o Mercado Cativo e o Mercado Livre de Energia? A seguir vamos explicar todos os detalhes sobre o assunto.

Confira!

O que é Mercado Cativo de Energia elétrica?

O setor energético brasileiro é atualmente segmentado em dois “ambientes”, o Ambiente de Contratação Regulada (ACR), que é o Mercado Cativo, e o Ambiente de Contratação Livre (ACL), que é o Mercado Livre de Energia. 

Assim, o Mercado Cativo de Energia é formado pelos consumidores que têm acesso à energia com tarifas estabelecidas pelo governo e pagam mensalmente pelo serviço de distribuição e de geração de energia. Esses consumidores também são chamados de consumidores cativos.

Confira no vídeo abaixo quais são as diferenças entre ACR e ACL:

Como o preço de energia elétrica é definido no Mercado Cativo?

No Mercado Cativo de Energia os consumidores podem comprar energia elétrica apenas da concessionária responsável pela distribuição da energia na região. 

Além disso, no ACR a energia é negociada pelas distribuidoras por meio de leilões e o preço é estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). No Mercado Cativo também há a incidência das bandeiras tarifárias.

Por conta das bandeiras tarifárias, o valor da conta de luz oscila mês a mês dentro de valores pré-determinados e de acordo com a necessidade de uso de usinas termoelétricas.

Já os reajustes de preços que acontecem ao longo do ano consideram a inflação, os custos para a geração de energia e os investimentos das distribuidoras.

Quais as diferenças entre o Mercado Cativo e o Mercado Livre de Energia?

A principal diferença entre o Mercado Cativo e o Mercado Livre de Energia é a contratação da energia.

Os consumidores cativos de energia não podem negociar o preço a ser pago e devem seguir os valores estabelecidos pelas concessionárias da região, enquanto os consumidores livres podem fazer as negociações diretamente com as empresas geradoras ou comercializadoras de energia.

Assim, no Ambiente de Contratação Regulada o consumidor paga uma fatura mensal que inclui o serviço de distribuição e a geração de energia, enquanto no Ambiente de Contratação Livre os consumidores Livres negociam suas condições de contratação diretamente com os fornecedores.

Além disso, no Mercado Livre de Energia, é possível escolher de qual empresa comprar e também definir o preço, prazo, volume e forma de pagamento diretamente com ela. Por isso, os consumidores livres conseguem atingir um preço de contratação de energia muito mais baixo do que no Mercado Cativo.

Inclusive, de acordo com um levantamento da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), 80% dos consumidores gostariam de poder escolher o fornecedor de energia elétrica.

Se você também tem interesse em escolher seu fornecedor e tem a demanda mínima necessária para fazer a migração, é válido considerar migrar do Mercado Cativo para o Mercado Livre de Energia.

Para isso, as empresas devem se enquadrar em pelo menos uma das categorias abaixo:

  • Consumidor Livre: tem uma demanda mínima de 1,5 MW e pode escolher o fornecedor de energia elétrica por meio de livre negociação;
  • Consumidor Especial: tem uma demanda entre 500 kW e 1,5 MW, podendo adquirir energia de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) ou de fontes renováveis como eólica, biomassa ou solar;
  • Comunhão: caso a empresa não tenha demanda suficiente para conseguir entrar no Mercado Livre, é possível fazer uma comunhão de cargas com outras unidades consumidoras para atingir o mínimo necessário de 500 kW. Porém, isso apenas é válido para consumidores com o mesmo CNPJ e alocados no mesmo submercado ou localizados em áreas que não são separadas por vias públicas.

Saiba mais sobre a comunhão de cargas aqui.

Por que migrar para o Mercado Livre de Energia?

O Mercado Livre está em franca expansão. Segundo um levantamento realizado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), em 2020 foi registrado um crescimento de 22% no volume de consumidores que passaram do Mercado Cativo para o Mercado Livre em comparação com 2019.

Afinal, no Mercado Livre de Energia os consumidores têm mais liberdade para escolher um fornecedor com tarifas mais atrativas do que as tradicionalmente reguladas pelo governo e também que atenda melhor às suas demandas específicas.

Por conta disso, os consumidores conseguem encontrar melhores ofertas e obter preços inferiores aos estabelecidos no ACR, sendo possível alcançar até 35% de redução de custos com energia elétrica.

Já adiantamos que no Mercado Livre de Energia é possível contratar carga sob medida de acordo com a demanda da empresa. Isso permite fazer previsões no orçamento com muito mais precisão e, por consequência, tomar decisões tendo como referência dados mais assertivos.

Essa previsão pode ser feita porque quando os contratos são fechados os valores são válidos ao longo de todo o período de contratação e não sofrem oscilações imprevisíveis que podem impactar negativamente o orçamento da empresa.

Confira no vídeo abaixo as vantagens e desvantagens do Mercado Livre de Energia:

Tendo o apoio de uma consultoria no Mercado Livre de Energia é possível alcançar uma redução de até 35% na conta de energia elétrica. Como os fornecedores querem conquistar cada vez mais clientes, os preços para a contratação são muito mais competitivos.

Esfera Energia oferece o suporte necessário para empresas que desejam migrar para Mercado Livre de Energia, auxiliando em todo o processo burocrático com assertividade e eficiência, tendo como foco os ganhos que serão gerados para seus clientes.

Além disso, a Esfera Energia também atua nas negociações para garantir as melhores condições possíveis na contratação de energia.

Ou seja, com a Esfera você faz a migração para o Mercado Livre de Energia com segurança, conta com o apoio necessário para o cumprimento das obrigações legais e tem especialistas disponíveis a todo momento para resolver qualquer questão sempre que você precisar.

Atendemos a mais de 120 grupos empresariais, gerenciamos 300 unidades consumidoras e estamos em 19 estados. Então, quer conhecer mais sobre a Esfera Energia e descobrir como uma consultoria no Mercado Livre de Energia pode fazer toda a diferença para sua empresa reduzir custos com a essa despesa?

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Entenda os impactos ambientais da Belo Monte e como o acordo com o Ibama afeta o setor energético – e sua conta de luz

Ganhou destaque nos jornais do último dia 8 de fevereiro a informação de que o Ibama chegou a um acordo com Belo Monte sobre o fluxo de água que a usina deve liberar para o rio Xingu, no Pará. A notícia merece atenção não só pela magnitude dos atores e fatores envolvidos, mas também por suas consequências.

O caso ganhou as manchetes em janeiro depois de o Ibama ter exigido que a Norte Energia, responsável pelo empreendimento, aumentasse a vazão de água para mitigar os impactos ambientais da usina hidrelétrica de Belo Monte. Essa medida, no entanto, acarretou efeitos negativos na capacidade de produção de energia.

Por conta disso, o Ministério de Minas e Energia e representantes do setor elétrico também entraram na discussão para contestar a decisão do órgão ambiental. E a situação se arrastou por dias até ser resolvida com o termo de compromisso assinado no início de fevereiro.

Mas, afinal, o que vai mudar com esse acordo? Quais serão as consequências para o ecossistema do Xingu? Como isso impactará nos preços da conta de luz de lares e empresas?

Essas são as respostas que você encontrará neste artigo. Mas, para isso, é essencial voltar um pouco no tempo e saber como estava a situação antes do acordo.

Como a Belo Monte operava antes do acordo com o Ibama?

O processo de licenciamento ambiental da usina de Belo Monte esteve envolto em polêmicas desde os primórdios do projeto, ainda na década de 1980. Seus críticos sempre ressaltaram não apenas os efeitos negativos ao meio ambiente, mas também os impactos sociais na população local que depende do rio Xingu.

Após muita discussão, o Ibama concedeu, em junho de 2011, a licença de instalação à Norte Energia. Quase cinco anos depois, em maio de 2016, Belo Monte foi oficialmente inaugurada como a quarta maior hidrelétrica do mundo em potência instalada, com 11.233 megawatts.

Atualmente, a usina opera com base em dois hidrogramas para determinar a quantidade de água que liberará no trecho de vazão reduzida da Volta Grande do Xingu e quanto usará para alimentar suas turbinas. Os chamados hidrogramas A e B preveem vazões distintas de acordo com a época do ano, como podemos ver no gráfico abaixo:

Belo Monte Ibama
Imagem: ONS

Como você deve ter percebido, esse gráfico também inclui o hidrograma exigido pelo Ibama, com números bem superiores aos da Norte Energia. E isso nos ajuda a entender porque o órgão ambiental decidiu contestar a quantidade de água que estava sendo liberada para o Xingu.

Por que o Ibama interferiu nas operações de Belo Monte?

Em janeiro deste ano, a Norte Energia tinha programado liberar 1.100 metros cúbicos de água por segundo em um trecho de vazão reduzida do rio Xingu. O Ibama, no entanto, exigiu que a liberação fosse de 3.100 m³/s para tentar mitigar os impactos sociais e ambientais da usina hidrelétrica de Belo Monte na região.

No final daquele mês, o órgão ambiental determinou outro aumento na liberação para esse mesmo trecho do rio no período entre 1 a 7 de fevereiro. Enquanto a usina pretendia operar com vazão de 1,6 mil m³/s, o Ibama determinou que esta fosse da ordem de 10,9 mil m³/s.

A Norte Energia chegou a apresentar um estudo complementar para justificar a adoção do chamado hidrograma B para essa época do ano. Porém, o documento foi rejeitado pelo órgão ambiental.

De acordo com relatórios do Ibama, tanto o hidrograma A quanto o B estão causando danos em um trecho de 130 quilômetros de extensão chamado Volta Grande do Xingu. Alguns exemplos dos impactos ambientais e sociais são:

  • Falta de garantia de migração de espécies para áreas alagadas;
  • Mudanças ecológicas nas espécies capturadas e no modo de vida dos indígenas;
  • Vazões insuficientes para inundar planícies aluviais, comprometendo a alimentação dos peixes;
  • Necessidade de tratamento da água para consumo.

Para propor um hidrograma sete vezes superior à Norte Energia, o Ibama lembrou que mesmo os 10,9 mil m³/s não chegariam perto da média histórica da vazão natural em fevereiro, de cerca de 14 mil m³/s. Mesmo assim, essa decisão acionou um alerta em todo o setor elétrico brasileiro.

Os efeitos do aumento da vazão de Belo Monte no setor elétrico

Assim que a determinação do Ibama foi divulgada, tanto o Ministério de Minas e Energia quanto membros do setor elétrico entraram no circuito para contestá-la. A alegação foi que o aumento da vazão acarretaria efeitos pesados na capacidade de geração de Belo Monte.

Em um post anterior do blog, nós detalhamos o impacto dos níveis dos reservatórios no preço da energia. O gráfico abaixo mostra como seria a diferença de geração entre os hidrogramas A e B de Belo Monte e o hidrograma proposto pelo Ibama:

Belo Monte Ibama
Imagem: ONS

Com a redução do volume, a solução seria compensar a defasagem com outros tipos de geração de energia, como as usinas térmicas. No entanto, estas, além de caras, são mais poluentes e também causam impactos ambientais.

De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o custo dessa aquisição, considerando apenas janeiro e fevereiro, seria de cerca de R$ 1,3 bilhão. Esse valor deverá ser dividido entre todos os consumidores na conta de luz.

A restrição de geração em Belo Monte, junto a outros fatores como a alta do do dólar e do IGPM e a baixa quantidade de chuvas, fez o diretor-geral da Aneel, André Pepitone, prever um quadro desanimador:

“Estamos buscando medidas para conter a escalada tarifária. Mas cada setor tem que ajudar um pouco. As nossas áreas técnicas já fazem estimativas e sinalizam que, se nada for feito, o reajuste em 2021, média Brasil, está na casa dos 13%.”

Enquanto a ameaça de um aumento considerável na conta de luz de todos os consumidores aumentava, enfim chegou a notícia que tantos esperavam: Belo Monte e Ibama finalmente haviam selado um acordo.

Como será a operação de Belo Monte após o acordo com o Ibama?

Em um fato relevante divulgado no dia 8 de fevereiro, a Norte Energia informou da assinatura de um termo de compromisso com o Ibama. Esse documento estabelece que a empresa irá operar o hidrograma B durante todo o ano de 2021, tal qual o preconizado no licenciamento ambiental da usina de Belo Monte.

Para operar nessas condições, a Norte Energia precisou aceitar medidas adicionais estabelecidas pelo Ibama. Para minimizar os impactos no trecho de vazão reduzida, a empresa terá que aplicar R$ 157 milhões em programas e ações ao longo dos próximos três anos.

De acordo com uma nota do Ibama, a Norte Energia se comprometeu a:

  • Executar o projeto experimental de alimentação e reprodução da fauna afetada;
  • Desenvolver pesquisas e monitoramento das espécies;
  • Recompor a cobertura vegetal impactada;
  • Realizar ações de reparação para as comunidades humanas locais.

Com a Norte Energia se comprometendo com o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável da região, o acordo foi muito bem recebido pelo setor. De acordo com cálculos do mercado, caso as restrições fossem mantidas, a usina teria que arcar com um custo adicional de R$ 4 bilhões a R$ 10 bilhões.

O compromisso selado entre Belo Monte e Ibama também é uma boa notícia para todos os consumidores do país. Afinal, além de afastar o temor de problemas com déficit de energia, também representa um alívio no cálculo da conta de luz.

Para continuar por dentro dos acontecimentos do setor energético brasileiro e do Mercado Livre de Energia, continue acompanhando nosso blog. E, se quiser acesso a relatórios e estudos mais detalhados, fale agora mesmo com um especialista da Esfera Energia!

Imagem da capa: Divulgação Belo Monte

Aconteceu em Fevereiro: Mudanças para a modernização do Setor e expectativa de gastos por motivo de Garantia Energética

O mês de Fevereiro foi marcado por incertezas em relação à volatilidade dos preços da energia, devido aos acontecimentos relacionados à Usina de Belo Monte e ao Ibama. 

Entenda o caso completo da Usina de Belo Monte e o Ibama.

Durante o mês também tivemos boas notícias com a aprovação da MP 998, que em Março foi aprovada também pela presidência e publicada como Lei 14.120.

Confira o que muda com a Lei 14.120, antiga MP 998. 

Ainda em Fevereiro observamos a recuperação parcial dos reservatórios das regiões Sudeste/Centro-Oeste e Sul, porém para a primeira, ainda permanece em níveis críticos, fechando o mês em um dos piores do histórico.

Confira abaixo os principais acompanhamentos do setor com a nossa análise.

Acompanhamento da Carga

Fevereiro iniciou com patamares elevados de carga em decorrência das altas temperaturas da primeira semana do mês, que inclusive foi a semana de maior carga dos últimos 48 meses.

Já para a segunda semana, a redução da temperatura foi responsável pela queda de cerca de 5 GWm da carga semanal, seguida pela semana do Carnaval (semana 8).

Interessante notar que a incidência do Carnaval apresentou um impacto na carga inferior ao observado nos anos de 2019 e 2020 (semanas 10 e 9, respectivamente).

Acompanhamento dos Reservatórios

Fevereiro foi marcado também pela recuperação parcial dos reservatórios dos submercados Sudeste/Centro Oeste e Sul.

O reservatório Sudeste fechou o mês em 29,7%, apresentando uma elevação de 6,5% em relação ao mês anterior. 

Já o reservatório Sul apresentou um fechamento de 63,7% em fevereiro, desse modo representando uma recuperação de 10,9% frente ao mês de Janeiro, justificada pela melhora das afluências iniciada no final de janeiro, que permaneceu em bons níveis até a primeira semana de fevereiro.

Expectativa de Gastos por Garantia Energética

O último trimestre de 2020 foi marcado por meses de chuvas bem abaixo da média histórica, o que culminou em níveis de armazenamento críticos, principalmente para os submercados Sudeste/Centro-Oeste e Sul. 

Para conter tal deplecionamento e obter uma melhora de tais níveis, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) autorizou o despacho de usinas térmicas fora da ordem de mérito e a aquisição de energia de outros países, como Argentina, Paraguai e Uruguai.

Consequentemente, todo esse volume de energia acarreta em encargos e todos os consumidores são impactados.

A expectativa de gastos para o mês de fevereiro é de R$ 925 milhões, uma redução de aproximadamente 43%, quando comparado com o mês anterior.

Tenha acesso à análises e estudos detalhados sobre o Mercado Livre de Energia, fale com um de nossos especialistas.

Energia incentivada vale a pena? Entenda o que é e o que a diferencia da energia convencional

Energia incentivada é toda aquela proveniente de fontes alternativas que ajudam a diversificar a matriz energética brasileira. Diferente da energia convencional, gerada em grandes hidrelétricas e termelétricas, tem sua origem em recursos renováveis, como sol, vento e chuva, entre outros.

Para aqueles ainda pouco familiarizados com os termos e regras do Mercado Livre de Energia, seu nome vem dos incentivos criados pelo governo para estimular seu uso. Esses estímulos vêm na forma de descontos na transmissão da energia realizada pela concessionária, aplicados tanto para a geração quanto para o consumo.

No entanto, isso não significa que a energia incentivada é mais barata. Mesmo com os descontos na Tarifa de Uso do Sistema de Transmissão (TUST) e na Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD), ela pode ser mais cara do que a energia convencional.

Quer entender melhor o que causa essas oscilações de preço? Então leia este artigo até o final para entender o que é energia incentivada e o que a diferencia da energia convencional.

O que é energia incentivada?

A energia incentivada foi criada para estimular o uso de recursos renováveis, mais limpos e com menor impacto ambiental. As fontes mais comuns são usinas eólicas, solares, de biomassa e até mesmo as chamadas PCHs, que são centrais hidrelétricas com potência inferior ou igual a 30.000 kW.

Para entender melhor do que se trata, vamos dar uma olhada em um trecho do artigo 26 da Lei nº 9.427/1996, que instituiu a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel):

“Para os empreendimentos hidroelétricos com potência igual ou inferior a 5.000 kW (cinco mil quilowatts) e para aqueles com base em fontes solar, eólica, biomassa e cogeração qualificada, conforme regulamentação da Aneel, incluindo proveniente de resíduos sólidos urbanos e rurais, cuja potência injetada nos sistemas de transmissão ou distribuição seja menor ou igual a 30.000 kW (trinta mil quilowatts), a Aneel estipulará percentual de redução não inferior a 50% (cinquenta por cento) a ser aplicado às tarifas de uso dos sistemas elétricos de transmissão e de distribuição, incidindo na produção e no consumo da energia.”

Como vimos, a legislação determina que os descontos da Aneel para a energia incentivada não podem ser menores que 50%. Por outro lado, eles podem chegar a 80% ou a até 100%, dependendo do tipo de empreendimento e da data de homologação ou registro junto à agência.

Além disso, cabe destacar que existem dois subgrupos dentro do segmento de energia incentivada:

Energia incentivada especial

Esse tipo de energia incentivada pode ser adquirida por consumidores livres e especiais e tem como fontes:

  • Empreendimentos hidroelétricos com potência igual ou inferior a 1.000 kW;
  • Empreendimentos hidroelétricos com potência superior a 1.000 kW e igual ou inferior a 30.000 kW, destinados à produção independente ou autoprodução, mantidas as características de PCH;
  • Empreendimentos com base em fontes solar, eólica, ou biomassa, cuja potência injetada nos sistemas de transmissão ou distribuição seja menor ou igual a 30.000 kW.

Energia incentivada não especial

Esse tipo de energia só pode ser adquirida por consumidores do Ambiente de Contratação Livre e é oriunda de:

  • Empreendimentos enquadrados como Cogeração Qualificada com qualquer potência injetada;
  • Empreendimentos com base em fontes solar, eólica, ou biomassa, cuja potência injetada nos sistemas de transmissão ou distribuição seja superior a 50.000 kW ou igual ou inferior a 300.000 kW que resultem de leilões realizados a partir de 1º de janeiro de 2016 ou venham a ser autorizados a partir de 1º de janeiro de 2016.

Para saber como funciona o mercado de contratação de energia, vale a pena pesquisar mais sobre o Ambiente de Contratação Regulada e o Ambiente de Contratação Livre (ACL). Confira em nosso post o que são ACR e ACL.

Diferença entre energia incentivada e convencional

A grande diferença entre energia incentivada e convencional está em suas fontes. Enquanto a primeira é gerada por recursos naturais como sol, vento, chuva, marés e energia geotérmica, a segunda é proveniente de usinas termelétricas e grandes hidrelétricas.

Outro fator que faz toda a diferença para quem quer começar a negociar no Mercado Livre de Energia é que cada uma delas só pode ser adquirida por grupos específicos. A convencional, por exemplo, é reservada para grandes consumidores livres, que possuem demanda contratada acima de 1.500 kW.

Nesse sentido, vale lembrar que existe ainda uma subcategoria, chamada energia convencional especial, que pode ser adquirida por qualquer tipo de consumidor. Nela podemos enquadrar empreendimentos com as seguintes características:

  • Hidroelétricos com potência superior a 1.000 kW e igual ou inferior a 50.000 kW, sem características de PCH;
  • Fonte solar, eólica ou biomassa cuja potência injetada nos sistemas de transmissão ou distribuição seja superior a 30.000 kW e igual ou inferior a 50.000 kW.

Se você ficou confuso com os tipos e subtipos de energia, confira abaixo o gráfico da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) que as classifica de acordo com a fonte, potência e data de autorização da usina:

energia incentivada

Fonte: CCEE

Além das fontes e tipos de consumidores, também existem diferenças no que diz respeito a valor e liquidez de mercado. A convencional é mais barata, mas não recebe os descontos que podem chegar a até 100%.

Isso significa que, dependendo do padrão de consumo e dos incentivos, a energia incentivada pode ser mais viável, mesmo sendo mais cara. No entanto, é necessário analisar os fatores que incidem na oscilação de preços para decidir qual opção é mais vantajosa.

Como é calculado o preço da energia incentivada?

A grande variação no preço da energia incentivada acontece por conta da oscilação entre oferta e demanda. O balanço entre os dois fatores é determinado por uma série de circunstâncias complexas, como a sazonalização e até aspectos macroeconômicos.

Em relação à oferta de energia incentivada, temos dois tipos: a dos geradores que se encaixam nos parâmetros determinados pela Aneel e a dos consumidores livres que, depois de adquiri-la, optam por fazer cessões de contrato devido a variações de consumo.

No primeiro caso, a quantidade de energia disponível é determinada por fatores climáticos, como ciclos hidrológicos, solares e dos ventos. Já no segundo, as variantes estão relacionadas com os preços de commodities e a taxa de câmbio, entre outros.

Além da flutuação de oferta, a demanda também varia muito. Isso acontece porque, além dos consumidores com demanda entre 500 kW e 1.500 kW que só podem adquirir este tipo de energia, há consumidores livres que optam por ela para reduzir o custo da TUSD.

Energia incentivada vale a pena?

Como ficou claro no tópico anterior, são muitas as variantes que explicam a oscilação do preço da energia incentivada. E é por isso que, mesmo com todos os descontos e sendo mais benéfica para o meio ambiente, ela pode pesar mais no planejamento e orçamento.

Por outro lado, se o momento for propício, o uso de energia incentivada pode significar uma considerável redução de custos. Sem falar que também pode ajudar na obtenção de um certificado de uso de energia renovável, um diferencial em um mercado cada vez mais focado em sustentabilidade.

Devido a todos esses fatores, o mais recomendável é contar com o apoio de uma consultoria especializada no processo de avaliação de consumo e negociação. Além de cuidar de todo o processo burocrático para a migração para o Mercado Livre, a Esfera Energia oferece soluções que otimizam a previsão de custos e a gestão da energia elétrica.

Para saber o que vale mais a pena para sua empresa, fale agora com um de nossos especialistas!

O que é energia hidráulica e como funciona a principal fonte energética do Brasil?

O que é energia hidráulica

Todo mundo aprende ainda na escola o que é energia hidráulica. Também chamada de energia hídrica, é toda energia obtida pela força da movimentação da água corrente ou em desníveis acentuados e que se consolidou como um dos métodos mais usados para gerar eletricidade.

Mas agora, passados tantos anos, quem realmente se lembra como funciona e como é gerada a energia hidráulica? Caso tenha esquecido, esse post é pra você – ainda mais se quiser entender como tudo isso impacta nos preços do Mercado Livre de Energia.

Nas próximas linhas você saberá quais são as vantagens e desvantagens da energia hidráulica e entenderá melhor sua importância dentro da matriz energética brasileira. Boa leitura!

O que é energia hidráulica?

A energia hidráulica é obtida pelo aproveitamento do potencial gravitacional da água corrente e de quedas d`água. Quando é usada para gerar eletricidade passa a ser chamada de energia hidrelétrica.

Devido ao seu enorme potencial hídrico, o Brasil vem historicamente focando seus investimentos em hidrelétricas. Por conta disso, a energia hidráulica sempre foi e continua sendo a principal fonte da matriz energética do Brasil, representando atualmente mais de 60% do total, como mostra o gráfico abaixo:

o que é energia hidráulica

Fonte: Hud, plataforma de comunicação e gestão de energia exclusiva para clientes Esfera.

O gráfico é perfeito para demonstrar o quanto esse tipo de energia é imprescindível para o sistema elétrico nacional. Embora sua participação na matriz tenha diminuído ao longo dos anos (já chegou a 90%), a hidráulica ainda é a energia que move o Brasil.

Qual a importância da energia hidráulica?

A importância da energia hidráulica é explicada pelo fato de ser uma fonte de eletricidade segura. Além disso, por conseguirem alterar rapidamente sua capacidade de geração, por meio do aumento da vazão de água que passa pelas turbinas, as hidrelétricas conseguem atender picos de consumo mais rápido que outras fontes.

Outro diferencial da energia hidráulica é que se trata de uma fonte limpa e renovável. Afinal de contas, não emite gases do efeito estufa e a água é um recurso que ainda é constantemente reposto pela natureza.

Esse fator é extremamente importante quando se leva em consideração que a matriz energética mundial ainda é composta majoritariamente por fontes não renováveis. Isso quer dizer que combustíveis fósseis, cuja queima gera gases poluentes nocivos ao meio ambiente, ainda abastecem a maioria de lares e indústrias do planeta.

Apesar de a energia hidráulica ser limpa, as usinas hidrelétricas causam uma série de impactos ambientais e sociais que detalharemos mais à frente. Antes disso, vamos lembrar outros tipos de energia menos problemáticas para o nosso planeta.

Quais são os tipos de energia limpa?

Energia limpa é toda aquela gerada através de fontes renováveis e sem a emissão de poluentes ou maiores impactos ao meio ambiente. Além da hidráulica, os outros tipos de energia limpa são:

  • Eólica
  • Solar
  • Maremotriz
  • Biomassa

Vale destacar que mesmo essas energias causam repercussões na natureza, mas normalmente essas ocorrem apenas no local em que são produzidas e são controladas. No caso da energia hidráulica, você entenderá melhor como ela é gerada no próximo tópico.

Como funciona a energia hidráulica?

A energia hidráulica é gerada por meio de uma série de processos naturais, como a evaporação, a condensação e a precipitação das águas. Todos esses eventos acontecem sem a interferência do homem, influenciados apenas por fatores como a irradiação solar e a energia gravitacional.

Por outro lado, para ser transformada em eletricidade, a energia hidráulica precisa antes ser convertida em energia cinética. E é nesse momento que a ação humana se faz necessária por meio da construção das usinas hidrelétricas.

Para entender melhor a transformação da energia hidráulica em elétrica, vamos conferir um exemplo prático. No caso, o funcionamento da líder mundial em produção de energia limpa e renovável: a Itaipu Binacional.

Na usina, que se alimenta de um lago de 1.350 km², a água é captada e conduzida por dutos coletores até a turbina, dispositivo responsável pela conversão de energia. Essa turbina nada mais é que uma roda dotada de pás que é ativada com a chegada da água.

Essas pás estão conectadas ao eixo de um gerador, que finalmente transformará a energia cinética do movimento de rotação da turbina em energia elétrica. Após provocar esse movimento, a água volta ao seu leito natural pelo canal de fuga.

O vídeo abaixo, do canal Nossa Ecologia, detalha ainda mais o processo de transformação da energia hidráulica em eletricidade nas usinas hidrelétricas:

Vantagens e desvantagens da energia hidráulica

Agora que já vimos o que é e como é gerada a energia hidráulica, vamos nos focar nos prós e contras da principal fonte de energia elétrica dos brasileiros. Como citamos anteriormente, a principal vantagem é o fato de ser limpa e renovável.

Além disso, entre seus pontos positivos, podemos destacar que o custo de produção para transformá-la em energia elétrica é baixo. Apesar de ser caro construir uma usina hidrelétrica, depois que ela entra em operação a energia hídrica se torna uma fonte barata de eletricidade e esse preço mais baixo chega até o consumidor final.

Outra vantagem da energia hidráulica é que ela não produz dióxido de carbono e outros gases do efeito estufa, ao contrário de outros tipos, como termelétrica. Isso não quer dizer, no entanto, que elas não causem efeitos nocivos ao meio ambiente, ainda que indiretamente.

Embora a energia hidráulica seja limpa, a construção das hidrelétricas costuma prejudicar a flora e a fauna das áreas alagadas. Entre as principais desvantagens podemos destacar o desmatamento, mudanças climáticas e a alteração do curso e do nível natural dos rios.

Outro ponto negativo é que, em períodos de seca, a produção energética cai e aumenta o preço pago pelo consumidor final. Isso sem falar nos transtornos causados às populações locais que muitas vezes precisam ser realocadas para a construção da usina.

A energia hidráulica no Mercado Livre de Energia

No início do post vimos que a matriz energética brasileira é extremamente dependente da energia hidráulica. E, apesar de ser mais barata que outras fontes energéticas, essa dependência acaba sendo um dos riscos do Mercado Livre de Energia.

Sua geração depende da ocorrência de chuvas e é essencial entender os impactos dos reservatórios no preço da energia. Quando a previsão indica períodos maiores de seca, o Operador Nacional do Sistema (ONS) pode autorizar o despacho de usinas térmicas e reduzir a geração hidráulica para salvar as reservas.

Esses despachos afetam os bolsos de todos os consumidores, sejam cativos ou livres. Os primeiros sentem o efeito por meio das chamadas bandeiras tarifárias, enquanto no Mercado Livre de Energia o impacto vem no valor do PLD (Preço da Liquidação das Diferenças) e pode chegar também na cobrança de encargos para segurança do sistema.

No Mercado de Curto Prazo (MCP) é possível que o PLD apresente valores superiores aos das contratações de longo prazo. A boa notícia é que no Mercado Livre de Energia é possível evitar essas variações causadas pela imprevisibilidade das chuvas desde que se realize uma gestão de energia elétrica com eficiência.

Se no planejamento estratégico da sua empresa ainda faltam estratégias inteligentes para usar na hora da contratação de energia, você vai gostar de conhecer a Esfera, referência nacional em gestão no Mercado Livre de Energia.

Converse agora com um dos nossos especialistas para saber como economizar até 35% da conta de luz e terceirizar toda a operação de energia elétrica da sua empresa!

A energia hidráulica é a principal fonte de energia da matriz elétrica brasileira, porém existem outras alternativas para geração de energia, principalmente as relacionadas a recursos limpos e sustentáveis.

Faça o download do e-book “Tipos de Geração de Energia” e conheça as principais fontes disponíveis e seu potencial de utilização.

A MP 998 foi aprovada como Lei 14.120. O que muda?

No mês de Fevereiro o Senado aprovou a Medida Provisória 998, poucos dias antes do seu vencimento, após pedidos do Ministério de Minas e Energia (MME). Agora, no início de Março, a MP 998 foi aprovada pela presidência e publicada como Lei 14.120.

Considerada a “MP dos Consumidores”, a MP 998 visa conter os reajustes das tarifas de energia elétrica nos próximos anos, além de prever a retirada gradual dos subsídios para usinas de geração de energias renováveis, como solares e eólicas. Ela também traz pontos importantes para a usina nuclear de Angra 3.

Reunimos os pontos mais importantes da Lei 14.120, que trata os temas originados pela MP 998, e vamos explicar o que muda afinal. Confira.

Destinação de verbas para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE)

Anualmente as empresas de energia devem aplicar recursos em projetos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e em Eficiência Energética (EE).

A Lei prevê a destinação de até 30% desses recursos para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) entre 2021 e 2025 que atualmente é custeada por todos os consumidores brasileiros e é utilizada para financiar incentivos e políticas públicas, como os descontos em energia para os clientes de baixa renda. 

As empresas também poderão aplicar os recursos utilizados em projetos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) em tecnologias para armazenamento de energias limpas.

Exploração da Usina Nuclear de Angra 3

A usina nuclear de Angra 3 é um projeto existente há mais de 30 anos, que começou a ser construída em 1984. Em 2015  teve as suas obras paralisadas devido a denúncias de corrupção e desvios de dinheiro.

A Lei permite a exploração da usina nuclear de Angra 3 sob regime de autorização do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), de competência exclusiva de uma empresa estatal, e a celebração do contrato de comercialização da usina na modalidade reserva de capacidade. Caberá ao CNPE conceder a outorga de autorização por até 50 anos e prorrogáveis por mais 20 anos.

O contrato atual de energia da usina será extinto e, no novo contrato, o preço da energia deverá ser aprovado pelo CNPE após estudo da Eletronuclear e BNDES. Também deverá ser considerado parecer da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em relação ao impacto aos consumidores, a viabilidade econômica do empreendimento e seu financiamento, além de observados também os princípios de modicidade e viabilidade tarifária.

Retirada gradual dos subsídios para usinas de geração de energias renováveis

Atualmente as usinas de fontes renováveis (eólicas, solares, biomassa e PCHs) têm o benefício de descontos na tarifa de transmissão e distribuição de energia (TUST e TUSD). 

A Lei prevê que esse subsídio seja retirado gradualmente, entretanto, os novos empreendimentos que não terão mais direito ao desconto poderão participar de mecanismos que considerem os benefícios ambientais. Caberá ao Poder Executivo, em até 12 meses da publicação da Lei, definir essas diretrizes. No texto original da MP eram considerados apenas os benefícios ambientais relacionados à baixa emissão de gases causadores do efeito estufa. 

Para os empreendimentos existentes continua a valer o percentual de desconto estabelecido na outorga até o fim de sua vigência. Com relação aos novos empreendimentos, apenas os que solicitarem a autorização ou a ampliação da sua capacidade de geração, até 12 meses após a publicação da Lei, e iniciarem a operação de todas as unidades geradoras em 48 meses (contado da data da outorga) terão direito ao percentual de desconto. Passado esse período as novas outorgas não terão mais direito a tal benefício.

Durante a análise da Câmara, o texto da MP 998 foi alterado para restabelecer os subsídios para pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) por um período adicional. Desta forma, a Lei 14.120  mantém o desconto de 50% por cinco anos adicionais e de 25% para outros cinco anos, contados a partir da data de publicação da lei, mas não poderão ser transferidos a terceiros.

Contratação de Reserva de Capacidade

A Lei inclui a possibilidade de licitação para a contratação de usina reserva para gerar energia se necessário, quando o sistema apresentar falta de potência. Os custos serão rateados entre todos os consumidores de energia elétrica do Sistema Interligado Nacional (SIN), sejam eles livres ou cativos, na proporção do seu consumo líquido (deduzido de eventual geração). A possibilidade de contratação proporciona segurança energética para todo o SIN.

Desligamento da CCEE

No Brasil é necessário que todos os consumidores do Mercado Livre de Energia sejam agentes da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o que acarreta em diversas obrigações, prazos e pagamentos. 

A Lei inclui a hipótese de desligamento dos agentes da CCEE em caso de solicitação do agente ou descumprimento de obrigação em relação à CCEE. Esse desligamento causará a suspensão do fornecimento de energia das unidades consumidoras. 

Incentivar a modalidade de Comercializador Varejista

Como forma de aliar segurança à modernização do Setor Elétrico, a Lei estabelece que a comercialização no Mercado Livre de Energia poderá ser realizada mediante a comercialização varejista (gerador varejista ou comercializador varejista), conforme regulamento da Aneel, caracterizada pela representação das pessoas físicas ou jurídicas  sem a necessidade de aderir à CCEE e prevê a possibilidade de suspensão do fornecimento de energia elétrica das unidades consumidoras, sob responsabilidade do varejista, caso o consumidor não cumpra com as suas obrigações.

Gestão da Contratação das Distribuidoras

Estabelece a possibilidade de ser instituído mecanismo competitivo de descontratação ou redução, seja ela total ou parcial, da energia elétrica contratada proveniente dos Contratos de Comercialização de Energia Elétrica no Ambiente Regulado (CCEAR).

O montante de energia descontratado ou reduzido não repassará os percentuais de desconto na TUSD/TUST.

Os consumidores serão responsáveis pelas suas contas

O texto da Lei estabelece que consumidores que atualmente atuam no Mercado Cativo que migrarem para o Mercado Livre de Energia permanecerão responsáveis pelos seus pagamentos remanescentes da Conta-Covid. Ela foi criada para equalizar financeiramente as empresas durante o momento de crise, amortecendo o aumento da tarifa para o próximo ciclo ao diluir o empréstimo aos consumidores em 5 anos.

Alívio para os consumidores de energia do Norte

Atualmente os consumidores do Acre e Rondônia possuem uma parte da fatura de energia como se estivessem localizados nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. O texto prevê mudança no critério de recolhimento do encargo da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) que passará a ser regional. Assim, os consumidores do Acre e de Rondônia passarão a ter a mesma cobrança dos demais consumidores da região Norte.

Prevê também um alívio para os consumidores de energia dos estados do Norte, que não precisarão mais pagar pelos empréstimos fornecidos às distribuidoras na época em que essas estavam sob controle da União, antes da privatização. 

Além disso, a Reserva Global de Reversão (RGR), um encargo cobrado na conta de luz, financiará o valor dos bens das distribuidoras ainda não reconhecidos pela Aneel, evitando que o custo recaia sobre o consumidor.

O que as mudanças da Lei 14.120, oferecem aos consumidores?

A Lei 14.120 tem o objetivo de trazer benefícios aos consumidores e garantir a redução de tarifas em todo país, em especial na região Norte, onde o custo com energia elétrica é ainda mais elevado. Essa redução do custo da tarifa, no médio e longo prazo, acontecerá a partir da fundamentação e eliminação de encargos que afetam diretamente a conta de luz de todos os consumidores. 

Além disso, pretende oferecer mais racionalidade ao setor elétrico, analisando os subsídios oferecidos às fontes de energia incentivadas que acarretam em altos custos. 

Com a conversão da MP em Lei podemos esperar por decretos e portarias que a complementarão para finalmente entrar em vigor e, assim, observarmos os verdadeiros impactos de todas essas mudanças.

A Esfera Energia conta com uma equipe que monitora e coordena todas as atividades regulatórias, como consultas públicas, alterações nas legislações setoriais e outras variáveis com o objetivo de representar os interesses dos clientes no Mercado Livre de Energia.Nosso objetivo é potencializar os ganhos ou reparar possíveis perdas de cada cliente.

Para saber mais, fale com um de nossos especialistas!