Retrospectiva do Mercado de Energia em 2021

Depois de atravessar o ano de 2020 repleto de mudanças ocasionadas em virtude da pandemia de Covid-19, as expectativas para 2021 eram grandes, porém com muitas incertezas. Para o mercado de energia não foi diferente.

Surgiam conversas sobre a possibilidade de uma crise energética, aumentavam os valores cobrados em encargos e cresciam as especulações sobre uma nova queda de consumo devido ao crescimento  de casos de Covid-19. 

Abaixo relembre esses e outros desafios enfrentados em 2021, com a retrospectiva preparada pelo time de especialistas da Esfera Energia.

Implantação do PLD Horário

Iniciamos o ano de 2021 com a implantação do modelo DESSEM na precificação de energia.

A partir do dia 1º de janeiro o Preço da Liquidação das Diferenças (PLD) passou a ser calculado em base horária, ou seja, teríamos um valor de PLD para cada hora do dia. 

E apesar de já ser utilizado na operação para controle do despacho hidrotérmico do Sistema Interligado Nacional (SIN) desde 2020, o primeiro mês do ano de 2021 foi um mês de muita experimentação enquanto os agentes do Mercado Livre de Energia se adaptavam ao novo modelo. 

Até a própria Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) teve que realizar diversas melhorias e correções no DESSEM devido à ocorrências não previstas durante o período de testes no ano anterior, como foi o caso do erro na modelagem de intercâmbio entre os submercados Sul e Sudeste, que ocasionou grandes desvios no PLD Sul em maio de 2021.

A Crise Hidroenergética

O ano de 2021 também foi marcado por um dos piores períodos de chuva dos últimos 91 anos. 

Os reservatórios de usinas hidroelétricas da região Sudeste/Centro-Oeste apresentavam níveis baixos para o início do ano, e já nessa ocasião, surgiam conversas dizendo que a segurança do sistema poderia estar em risco caso as chuvas não apresentassem um bom desempenho.

De fato, após grande frustração do período úmido, iniciamos o mês de abril, considerado período seco, com níveis de reservatórios da região SE/CO com cerca de 35% de sua capacidade máxima, valor considerado extremamente baixo para o período. 

Estado que colocava em risco o abastecimento energético, mesmo com a redução de consumo que poderia ser ocasionada pelo aumento dos casos de Covid-19.

Desse modo, o PLD que vinha caindo desde novembro de 2020, voltou a subir

Além disso, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) ordenava uma nova elevação do montante da geração de energia proveniente de usinas termelétricas, o que ocasionou a elevação dos Encargos de Serviços do Sistema (ESS).

Sem grande perspectiva de recuperação dos reservatórios, em maio o mercado de energia passou a considerar o início da crise hídrica no Brasil

Confira uma análise detalhada sobre a crise hídrica.

Já no mês seguinte, o governo iniciou medidas de combate à crise, formalizando a criação da Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética (CREG), entidade responsável pela definição de medidas destinadas ao controle e recuperação dos reservatórios durante a crise. 

Ainda em junho, com a crise hídrica, observamos pela primeira vez no ano o PLD atingir o teto regulatório, calculado em R$583,88/MWh, e o preço da energia convencional para 2022 chegou ao patamar de R$350/MWh. Esses valores perduraram até o mês de setembro.

Medidas de combate à crise hidroenergética

Com estudos do Operador Nacional do Sistema (ONS) apontando para uma possibilidade de ocorrência de blackouts nos meses seguintes, os órgãos do setor elétrico anunciaram as 3 principais medidas de combate à crise hidroenergética no país.

A primeira delas foi a abertura de ofertas para a geração adicional de energia elétrica destinada a usinas a merchant, que são usinas sem contrato de comercialização de energia, e/ou de biomassa. 

A medida descrita pela Portaria nº17/GM/MME possibilitava que os agentes declarassem o preço e montante de energia adicional gerados por suas usinas, sujeito a aprovação da CREG e do CMSE.

Em seguida foi anunciado o programa de Redução Voluntária da Demanda (RVD) através da Portaria nº22/GM/MME, onde grandes consumidores do Mercado Livre de Energia poderiam ofertar um montante de energia que seria reduzida durante os momentos de maior demanda do sistema, e o valor pelo qual estariam dispostos a reduzi-la.

Já para o mercado cativo, foi proposta uma alternativa semelhante à RVD. Nela, os consumidores capazes de reduzir até 20% do seu consumo mensal até o fim de 2021, quando comparado ao ano anterior, receberiam um bônus de R$0,50/KWh em suas contas de energia no início de 2022. 

Além disso, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) anunciou também a criação de uma nova bandeira tarifária denominada Escassez Hídrica

A bandeira foi definida para  os meses de setembro/2021 até abril/2022, e com ela a conta de energia do consumidor cativo sofreu um aumento de R$14,20 para cada 100 KWh consumidos.

Aliado aos esforços para o combate à crise, no mês de outubro observamos uma antecipação das chuvas que foi capaz de proporcionar um pequeno replecionamento dos reservatórios e uma redução acentuada do PLD, pela primeira vez desde o mês de março. 

Além disso, no mês de novembro, com a melhora da expectativa de chuvas, a CREG deixa de existir

A expectativa de melhora nos níveis dos reservatórios surgiu como um alívio ao sistema elétrico, apesar de ainda apresentar volumes baixos, mas que ainda devem se recuperar no período úmido de 2022.

O que mais aconteceu em 2021?

Além do advento do PLD horário e da crise hídrica, o ano de 2021 também foi palco de diversos outros fatores no mercado de energia.

No mês de fevereiro, presenciamos disputas entre o Ibama e a Norte Energia sobre a quantidade de água que deveria ser destinada à UHE Belo Monte, fator que movimentou muito os preços do mercado de energia no Sudeste.

Além disso, passamos pela aprovação da MP 998 sob a forma da lei 14.120 que trata os aspectos iniciais da abertura do Mercado Livre de Energia para novos consumidores, estimula a prática da modalidade comercializador varejista  e estipula o plano de extinção ao subsídio de energia de fontes renováveis (Energia Incentivada). 

Fontes que por sua vez, apresentaram grande importância no contexto da crise com um  crescimento acentuado em 2021, principalmente quando tratamos da energia solar devido à expansão da Geração Distribuída no Brasil.

Em 2021, vimos também ser aprovada a MP 1.031 em junho, medida provisória que viabiliza a privatização da Eletrobras, esperada para o ano de 2022. A medida ganhou grande repercussão pois teve a adição de diversos “jabutis” em seu conteúdo, trechos nada relacionados ao texto base da medida.

E a Esfera Energia em 2021?

Apesar de todos os desafios do ano de 2021 que mencionamos neste conteúdo, a Esfera teve conquistas super importantes.

Adquirimos mais de 50 novos clientes e agora estamos presentes em 22 estados brasileiros, aumentando ainda mais a nossa expansão. 

No total do ano, operamos mais de 20.448.960 MWh.

Para alcançar esses números, foi preciso reforçar o nosso time. Foram 38 contratações, chegando a quase 90 colaboradores.

Reconhecemos como indispensável a inclusão e potencialização de talentos diversos em nosso time, por isso lutamos pela diversidade e promovemos diversas ações internas como grupos de estudos, cartilhas educacionais, palestras e processos de vagas afirmativas. 

Por meio da cultura, acolhimento e colaboração de todo nosso time seguimos juntos alcançando resultados impressionantes, sempre pautados pelos nossos 3 E’s: excelência, empatia e ética.

Na Esfera, estes e outros acontecimentos, sempre chegam em primeira mão aos nossos clientes. 

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Esse texto foi produzido por Leonardo Nogueira.

Formando em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de São Carlos, Leonardo ingressou no nosso time em 2020 e hoje atua como analista de mercado na equipe de Monitoramento Estratégico.