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Rússia e Ucrânia: impactos no Petróleo e na energia. E como fica o Brasil?

No dia 24 de fevereiro, o presidente russo Vladimir Putin anunciou sua decisão de iniciar o avanço da operação militar no leste ucraniano. A Ucrânia por sua vez, que estava em processo de negociação com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) para ingressar na aliança, solicitou apoio.

Desde então os Estados Unidos e outros 11 aliados da Europa Ocidental vêm articulando sanções e restrições econômicas ao governo Russo.

Uma das sanções que entrou em pauta na última semana foi a adoção de restrições na comercialização de Petróleo e Gás Natural russo, que é responsável pelo fornecimento de cerca de 40% do gás consumido pela União Europeia.

Com a notícia, o mercado internacional observou uma rápida elevação no preço dos barris de petróleo, com o Brent sendo cotado acima dos US$ 110, acumulando uma alta de quase 15% desde o início dos conflitos na Ucrânia.

Nos EUA e, principalmente, na Europa os reflexos da elevação dos preços do Petróleo e de seus derivados tem impactado fortemente os preços da geração de energia

E isso nos traz uma dúvida: será que o Brasil também pode sofrer os mesmos impactos?  

Confira abaixo a análise de nosso time de especialistas.

O impacto do Petróleo na geração de energia no Brasil

A matriz elétrica brasileira, apesar de ser majoritariamente renovável, possui quase 20% de usinas térmicas movidas a Gás Natural, GNL ou outros derivados do petróleo. 

Desse modo, não podemos afirmar que os custos de geração de energia elétrica no Brasil deixarão de sofrer os impactos da elevação nos preços do petróleo.

No entanto, alguns fatores contribuem para a hipótese de que estes impactos devem atingir o Brasil de maneira atenuada neste primeiro momento. 

O primeiro deles é referente à origem do Gás Natural comercializado no país. Como grande parte do mercado interno é suprido pela produção própria e pela importação de gás boliviano, acredita-se que ocorra um atraso maior até que os impactos cheguem a nós.

Além disso, a definição do Custo Variável Unitário (CVU) destas usinas possui uma participação considerável do dólar americano, que vem caindo frente ao real nos primeiros meses de 2022, ocasionando até mesmo uma redução dos custos de operação nas últimas semanas.

Por fim, destacamos que na conjuntura atual do Sistema Interligado Nacional (SIN), o Operador Nacional do Sistema (ONS) vem ordenando o despacho térmico apenas de usinas do Sudeste/Centro-Oeste e do Sul, subsistemas que possuem grande parte de suas usinas a Gás Natural

Como o subsistema Nordeste, que apresenta a maior concentração de usinas termelétricas mais caras do país, não deve ter seu parque térmico utilizado até o final do período chuvoso do Norte (maio), acredita-se que a elevação dos preços do petróleo deva apresentar um impacto mais significativo apenas no segundo semestre, caso o conflito se prolongue no restante do ano.

Acompanhamento dos Reservatórios

No mês de fevereiro, os reservatórios da região Sudeste/Centro-Oeste deram continuidade ao movimento de recuperação acentuada observado no mês anterior.

Pela primeira vez nos últimos dois anos, fevereiro fecha com reservatórios próximos à média mensal, em 58% da capacidade máxima. Apresentando assim uma recuperação de 16% dentro do mês.

Apesar do bom desempenho, destacamos que as projeções do mês de março apontam para uma manutenção dos níveis de reservatório, que devem voltar a cair a partir do mês de abril.

Acompanhamento do PLD

No mês de fevereiro o PLD foi o que chamamos de “piso”, equivalente a R$ 55,70, para todos os submercados, apresentando nenhuma variação durante todo o período.

Tal movimento se deu em decorrência do cenário de reservatórios que comentamos acima e também do bom desempenho das chuvas durante o mês.

Acompanhamento da Carga

A carga mensal do mês de fevereiro se elevou quando comparada ao mês anterior, fechando em 73,8 GWm

Apesar das temperaturas elevadas, estima-se que a carga fechou abaixo do projetado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) devido ao avanço da variante Ômicron no Brasil, que vem comprometendo os níveis de confiança industrial e empresarial.

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Esse texto foi produzido por Leonardo Nogueira.

Formando em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de São Carlos, Leonardo ingressou no nosso time em 2020 e hoje atua como analista de mercado na equipe de Monitoramento Estratégico.

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