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Aconteceu em Junho: Níveis baixos dos reservatórios na região Sudeste e Centro – Oeste e Privatização da Eletrobras

Em junho, a evidência na mídia acerca dos níveis baixos dos reservatórios da região Sudeste/Centro-Oeste reacenderam discussões sobre a possibilidade de um racionamento de energia como o implementado em 2001. Para compreender melhor sobre o assunto, clique abaixo e confira nossa análise do atual cenário de crise hidrológica, e o que pode acontecer de fato.

Confira uma análise detalhada da crise hídrica atual

Além disso, este mês também foi aprovada a Medida Provisória 1031/2021 viabilizando a privatização da Eletrobras. A discussão prévia sobre a medida apresentou grande repercussão não apenas pela aprovação da capitalização da empresa, mas também por conta de seus chamados “jabutis”, ou seja, a série de alterações, não correlatas ao texto base da MP, acrescentadas na Câmara e no Senado para garantir o interesse político das partes que votaram pela aprovação da medida. 

Embora não tenham sido apresentados estudos preliminares detalhados acerca do impacto que a aprovação da medida tenha no setor elétrico, integrantes da ala pró governo defendem que a privatização da Eletrobras permitirá uma injeção de mais de R$ 25 bilhões à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) para obras de revitalização do setor, o que fomentaria a redução de tarifas do mercado regulado. Ademais, alguns agentes do setor dizem o contrário alegando que a renegociação de contratos da Eletrobrás ao atual patamar de preço do mercado (principalmente em tempos de crise hidrológica) deve elevar o preço de aquisição de energia de diversas distribuidoras de modo a superar o efeito benéfico do aporte na CDE, culminando em uma elevação de tarifas. 

Algumas alterações da medida como a obrigatoriedade de contratação de 8 GW de capacidade instalada de usinas termelétricas a Gás Natural em regiões sem infraestrutura de gasodutos do Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país, e a prorrogação em 20 anos de contratos do Programa de Incentivos às Fontes Alternativas para Energia Elétrica (Proinfa) parecem corroborar o aumento de gastos. Mas o fato é que nenhuma das partes apresentaram estudos conclusivos sobre o impacto tarifário.

No geral, além de estabelecer o cronograma de abertura do mercado livre a partir de 1º de julho de 2026, a medida não deve promover impactos significativos para o mercado livre de energia.

No mês de junho, o PLD comportou-se de maneira estável, principalmente até a terceira semana operativa. De modo geral, a curva apresentou um patamar semanal crescente durante todo o mês, impulsionada pela baixa expectativa de chuvas, e passou a atingir o teto regulatório após o dia 26/06. Os submercados Sudeste/Centro-Oeste e Sul apresentaram-se acoplados durante a todo o período, fechando com a média de R$ 336,99/MWh, e alcançando uma amplitude diária superior a R$ 300/MWh no último domingo do mês..

Já os submercados Nordeste e Norte fecharam o mês com PLD médio de R$ 328,76/MWh e R$ 335,72/MWh, respectivamente, marcando o início da reaproximação do PLD Norte com os submercados Sudeste/Centro-Oeste e Sul, dado o acoplamento entre seus preços horários em grande parte do mês. O Nordeste, por sua vez, permanece com tendência de apresentar um PLD mais baixo devido à elevação da geração eólica durante o período seco. 

Acompanhamento da Carga

No mês de junho, a carga do sistema apresentou leve redução com o advento das temperaturas mais baixas do ano. Ainda assim, a redução da carga foi muito menos expressiva do que a observada nos anos anteriores, e grande parte foi por conta do aquecimento econômico neste momento de retomada pós-pandemia. 

Para as próximas semanas, a tendência de carga deve se alterar, mesmo com a entrada do inverno, a expectativa é de elevação da temperatura a partir de meados de julho. Além disso, neste ano é esperada uma atenuação do efeito de férias escolares, corroborando para a tendência de elevação da carga.

Energia Armazenada

Um dos grandes pilares que sustentam a possibilidade de um racionamento é a situação dos níveis críticos dos reservatórios, principalmente da região Sudeste/Centro-Oeste que representa praticamente 70% da capacidade de armazenamento do SIN. O mês de junho apresentou um deplecionamento de 3% no armazenamento do Sudeste, fechando em 29,1% da capacidade, e a tendência para os próximos meses é permanecer em deplecionamento diante do cenário de poucas chuvas o que fomenta o risco de racionamento.

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