Geração Fora da Ordem de Mérito chega ao fim depois de um ano e meio.

Em outubro de 2020, apesar da redução de consumo imposta pelo lockdown por conta da Covid-19, observamos o nível de reservatório da região Sudeste/Centro-Oeste cair acentuadamente e atingir valores baixos para o período.

Sem uma perspectiva otimista de chuvas para os meses seguintes, a situação despertou as primeiras preocupações quanto ao atendimento à demanda de energia para o ano de 2021. 

Desse modo, no dia 17 de outubro de 2021 foi dado início a Geração Fora da Ordem de Mérito (GFOM), evento onde usinas térmicas são chamadas a despachar para assegurar a garantia energética do sistema, independente das saídas dos modelos de operação.

Durante o ano de 2021, a situação piorou ao ponto de observarmos os níveis máximos dos reservatórios da região SE/CO chegarem abaixo dos 35% de sua capacidade ao fim do período chuvoso, quando foi decretada a crise hídrica no país.

Isso fez com que houvesse uma elevação dos volumes de GFOM e, consequentemente, uma elevação dos Encargos de Serviços do Sistema (ESS) que chegaram a atingir mais de R$100/MWh nos meses de outubro e novembro de 2021.

No entanto, o início de 2022 nos surpreendeu com um período chuvoso antecipado e de chuvas volumosas no Norte e Sudeste do país, fazendo com que os reservatórios do SE/CO fossem capazes de se recuperar e atualmente atingir os quase 67% de sua capacidade.

Sendo assim, após decisão do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), no dia 29/04, após 559 dias, foi ordenado o fim da Geração Fora da Ordem de Mérito, dada a melhoria das condições de atendimento à carga do Sistema Interligado Nacional (SIN). 

Desse modo, a partir do mês de maio podemos esperar uma redução da cobrança do ESS, o principal vilão do bolso do consumidor livre em 2021.

Energia de Reserva

Apesar da perspectiva de redução da cobrança de ESS, alertamos também para a tendência de elevação do Encargo de Energia de Reserva (EER).

Saiba mais sobre o Encargo de Energia de Reserva (EER).

O cenário atual é de PLD baixo para o ano de 2022, o que contribui para que ocorra a cobrança do EER. 

Além disso, em outubro de 2021 tivemos o Processo Competitivo Simplificado (PCS) de usinas para Energia de Reserva. As usinas vencedoras do PCS devem entrar em operação no mês de maio, com prazo máximo até o dia 01 de agosto. No total, as usinas do PCS somam mais de R$11 bilhões de custo fixo anual na Conta de Energia de Reserva (CONER). 

Vale ressaltar que 5 usinas não possuem previsão de entrada em operação dentro do prazo de agosto, que somadas representam cerca de R$ 6 bilhões de custo fixo anual.

Acompanhamento da Carga

No mês de abril tivemos a publicação da 1ª Revisão Quadrimestral da Carga em 2022. 

Fonte: Empresa de Pesquisa Energética (EPE)

Na revisão, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em conjunto com o Operador Nacional do Sistema (ONS) e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) reduziram a expectativa de carga para o ano de 2022 em 0,9%, motivados pelo cenário macroeconômico atual, que apresenta uma perspectiva de recuperação lenta e inflação acentuada em 2022, por conta das incertezas devido a ocorrência de casos da variante Ômicron e dos conflitos entre Rússia e Ucrânia.

Em termos da carga mensal, o mês de abril fechou com um consumo médio de 69,3 GWm, cerca de 2 GWm abaixo do projetado pelo ONS no PMO de abril. 

Esta diferença foi impulsionada pela redução da temperatura associada às semanas que apresentaram feriados prolongados (15 e 21 de abril).

Fonte: Empresa de Pesquisa Energética (EPE)

Acompanhamento do PLD

Em abril, o PLD fechou pelo terceiro mês consecutivo em seu valor mínimo de R$55,70/MWh. Este cenário é resultado de um início de ano chuvoso no Sudeste e, com isso, a recuperação acentuada dos reservatórios da região.

Com o patamar baixo de preços, observamos que a liquidez no mercado de energia para produtos mensais até o mês de junho é baixa.

Acompanhamento dos Reservatórios

No mês de abril, os reservatórios da região Sudeste/Centro-Oeste deram continuidade ao movimento de recuperação observado nos meses inferiores, porém de maneira menos acentuada, fechando em cerca de 67% da capacidade máxima, apresentando assim uma recuperação de 3% dentro do mês.

Apesar do bom desempenho, destacamos que as projeções dos próximos meses apontam para uma inversão da tendência de reservatórios, que devem voltar a cair no mês de maio.

Fonte: Empresa de Pesquisa Energética (EPE)

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Esse texto foi produzido por Leonardo Nogueira.

Formando em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de São Carlos, Leonardo ingressou no nosso time em 2020 e hoje atua como analista de mercado na equipe de Monitoramento Estratégico.