Aconteceu em Dezembro: A melhora nos cenários de chuva e um PLD mais tranquilo

Depois de um ano cheio de novidades, desafios e instabilidades, dezembro de 2021 nos surpreendeu positivamente com a tranquilidade de um PLD mais baixo, apesar da alta dos encargos, e de uma boa perspectiva para cenários de chuva no início de 2022.

Confira abaixo um pouco mais do que aconteceu em dezembro.

Acompanhamento do PLD

O mês de dezembro apresentou o menor PLD médio mensal registrado em 2021, fechando em R$ 66,67/MWh nos submercados Sudeste/Centro-Oeste e Sul, R$ 66,46/MWh no Nordeste e R$ 66,31/MWh no submercado Norte.

Em termos de amplitude, o mês apresentou máximos e mínimos de PLD em torno de R$88/MWh e R$50/MWh, respectivamente. Patamar baixo de preço, que é reflexo das melhoras sucessivas na realização das chuvas ao longo do mês.

Desse modo, o ano de 2021 encerrou com PLD médio de R$ 280/MWh no SE/CO.

Sendo um ano de PLD elevado, principalmente durante o segundo semestre devido à crise hidroenergética que atingiu o país. Chegando até mesmo ao teto regulatório, de R$ 583,88/MWh, nos meses de julho e agosto.

Acompanhamento da Carga

Em dezembro, o consumo foi semelhante ao observado no mês anterior, ficando próximo dos 70 GWm

Durante as duas primeiras semanas do mês, o valor da carga semanal chegou a ser superior aos níveis observados em novembro, quando a temperatura em todo o país sofreu grande elevação.

Nas semanas seguintes, apesar das temperaturas elevadas, as chuvas aumentaram reduzindo a sensação térmica em grande parte do país, além da ocorrência dos feriados, fator que contribuiu para uma redução da carga no final do ano.

Em termos da carga mensal, 2021 fechou com uma carga média de 69,5 GWm, superando em 2,7% o ano de 2020.

O perfil de carga apresentou um comportamento sazonal dentro do esperado em praticamente todo o período. Apresentando os maiores desvios em relação ao projetado no último trimestre do ano, principalmente por conta da redução da sensação térmica, com o aumento das chuvas.

Fator que também contribuiu para o início da recuperação dos reservatórios, aliviando o cenário de instabilidade imposto pela crise hidroenergética.

Acompanhamento dos Reservatórios

Os reservatórios do submercado Sudeste/Centro-Oeste fecharam o mês em 26% da sua capacidade máxima, confirmando a tendência de replecionamento do mês anterior.

Isto ocorre devido ao aumento das chuvas de dezembro, que caracterizam o início do período chuvoso do Sudeste/Centro-Oeste.

No Sudeste/Centro Oeste, uma das variáveis mais importantes para a geração de energia no país, observamos um dos piores níveis do histórico, chegando ao final do período úmido (Abril/Maio) em cerca de 35% da sua capacidade máxima, valores praticamente insustentáveis para percorrer todo o período seco do ano (Junho/Outubro).

Com o final do período úmido para o Sudeste/Centro-Oeste e com o nível dos reservatórios próximo do ano de 2001, ano que aconteceu o apagão, ligou-se o alerta do risco de não atendimento à demanda, que culminou na criação da CREG (Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética), e a adoção de algumas medidas para a preservação dos reservatórios.

Breve retrospectiva de 2021

Todas as ações contribuíram para preservar os reservatórios e com isso, o deplecionamento a partir de abril foi menor. 

Já a partir de outubro, com a mudança do cenário hidrológico, houve uma recuperação singela dos níveis dos reservatórios que afastaram um pouco mais o risco de apagão. 

Nos meses de novembro e dezembro, com a confirmação das chuvas previstas, observamos um forte replecionamento com uma recuperação de cerca de 6% somente em dezembro, o que não víamos acontecer desde 2008 para o mês em questão.

Além disso, destacamos o grande volume de chuva na região Nordeste e Norte do país em dezembro. Fator que impulsionou uma recuperação acentuada dos reservatórios dessas regiões, nos quais foram observados desvios em cerca de 15% para o Nordeste e 22% para o Norte somente em dezembro. Enquanto na outra ponta os níveis de reservatórios do Sul apresentaram um deplecionamento em dezembro influenciado pelo La Niña, que corroborou para baixas afluências naquela região.

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Esse texto foi produzido por Leonardo Nogueira.

Formando em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de São Carlos, Leonardo ingressou no nosso time em 2020 e hoje atua como analista de mercado na equipe de Monitoramento Estratégico.